segunda-feira, 9 de novembro de 2015


O ocorrido do velório


O velório do Sr. João tinha uma atmosfera esquisita. Marieta, a esposa do falecido, estava com receio de ir até o caixão. Ela tinha muito medo de mortos e, em seu cantinho, observava as pessoas se aproximando do falecido.
Alguém chegou perto, olhou para o morto e soltou um risinho; Marieta percebeu. Estranhou.
Outro sujeito se aproximou, olhou para o morto e sorriu; Marieta se indignou.
Quando a filha Carina, com o semblante decaído, foi ver o pai, deu algumas gargalhadas, altas o suficiente para chamar a atenção de todos. Marieta repreendeu a filha e, sem notar que estava se aproximando do caixão, disse:
Carina, como ousa dar risadas diante do caixão de teu pai; tenha educação, menina atrevida!
Mas, mãe – disse Carina, se recuperando das risadas – não fiz de propósito. Olha para o caixão!
Marieta espiou. E não conseguiu conter o riso.
Sr. João também estava sorrindo – e tinha um feijão grudado em um de seus dentes.


Douglas Oliveira da Silva

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