O ocorrido do velório
O velório do Sr. João
tinha uma atmosfera esquisita. Marieta, a esposa do falecido, estava
com receio de ir até o caixão. Ela tinha muito medo de mortos e, em
seu cantinho, observava as pessoas se aproximando do falecido.
Alguém chegou perto,
olhou para o morto e soltou um risinho; Marieta percebeu. Estranhou.
Outro sujeito se
aproximou, olhou para o morto e sorriu; Marieta se indignou.
Quando a filha Carina,
com o semblante decaído, foi ver o pai, deu algumas gargalhadas,
altas o suficiente para chamar a atenção de todos. Marieta
repreendeu a filha e, sem notar que estava se aproximando do caixão,
disse:
Carina, como ousa dar
risadas diante do caixão de teu pai; tenha educação, menina
atrevida!
Mas, mãe –
disse Carina, se recuperando das risadas – não fiz de
propósito. Olha para o caixão!
Marieta espiou. E não
conseguiu conter o riso.
Sr. João também estava
sorrindo – e tinha um feijão grudado em um de seus dentes.
Douglas Oliveira da
Silva
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